| Competitividade Industrial |

Brasil
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Marcio Cotrim |
PUBLICADO
01/03/2006 |
Aproveitando o período de Carnaval para colocar a leitura em dia, tive a oportunidade de reler o texto sobre Manutenção Centrada no Negócio, escrito por amigo e grande profissional de Manutenção - Prof. Lourival Tavares - onde alguns conceitos da Teoria das Restrições foram lembrados e reproduzidos abaixo, junto com dados interessantes, contidos em seu artigo, publicado na Revista ALCOOBRÁS No. 97 - outubro 2005, onde também tive a oportunidade de ser entrevistado sobre a metodologia de TPM - Manutenção Produtiva Total.
Segundo os conceitos defendidos por Eliyahu Goldratt, criador da Teoria das Restrições, uma empresa para ser mais competitiva tem dois caminhos a seguir:
- Aumentar a produção e as vendas
- Reduzir os gastos.
Mas ao aplicar essas duas alternativas algumas restrições ou dificuldades são identificadas e classificadas como sendo de duas naturezas:
- INTERNAS, que reduzem a capacidade de produzir mais.
- EXTERNAS, que reduzem a capacidade de vender mais.
Baseado nessas dificuldades a Teoria das Restrições enfoca cinco passos fundamentais que auxiliarão no melhor caminho a seguir em busca da Competitividade Industrial.
- Identificar a Restrição do Processo. Pode ser um equipamento, um sistema, um método, uma pessoa, um produto, um fornecedor, um serviço, uma técnica, um setor, etc...
- Explorar essa Restrição. Aplicar as melhores técnicas e recursos na restrição a fim de atingir os melhores ganhos possíveis.
- Subordinar o nível de atividade à capacidade da Restrição. Evitar gerar custos indevidos por estoques ou ociosidades produzidas em "elos" que estão relacionados com a restrição identificada.
- Elevar a Restrição. Aplicar todos e os melhores esforços possíveis para aumentar a capacidade da restrição e, assim, aumentar a produção final e evitar desbalanceamento ou paradas indesejáveis e imprevistas.
- Voltar ao Primeiro Passo. Quando solucionado o problema de uma restrição, imediatamente surgirá outra que deverá ser tratada da mesma forma que a primeira, seguindo os passos acima.
Sobre redução dos gastos, temos muitas alternativas em uma empresa e algumas, quando esses gastos aumentam costumam adotar o caminho mais rápido que é o da demissão, entretanto a solução imediata não possui estrutura para continuar apresentando reduções e o resultado pode ser desastroso a médio prazo.
Um dos caminhos que atualmente tem sido tomado é a mudança de paradigma da Manutenção, passando a ser tratada com FOCO no NEGÓCIO da empresa.
"Mas na minha empresa sempre foi tratada assim"! Muitos defenderão esse argumento.
Se a sua empresa possuir os seguintes procedimentos abaixo, parabéns, o caminho está correto. Se ainda não gerencia a Manutenção dessa forma, o que está esperando para mudar?
- Os equipamentos são classificados e identificados em A, B e C?
- Existem documentos atualizados dos equipamentos e sofrendo consultas constantes?
- Os dados são confiáveis e utilizados?
- Os cadastros e Históricos estão atualizados e são de fácil consulta?
- Os Manutentores pesquisam as causas das falhas ou apenas consertam e colocam a máquina para "Rodar"?
- As instruções de Manutenção estão escritas de forma clara e objetiva?
- Existe controle de Ordem de Serviço ou as solicitações são verbais?
- As intervenções são planejadas ou realizadas quando o equipamento quebra?
- Os Operadores sabem como funciona corretamente seu equipamento ou apenas liga e desliga?
- Os Operadores mantém os equipamentos limpos, lubrificados, inspecionados e dentro dos parâmetros?
- Os Operadores sabem identificar um problema no equipamento ou desconhecem completamente?
Apenas para ilustrar e ajudar na avaliação de sua empresa, baseado no modelo de Gestão de Manutenção adotado, são os seguintes percentuais de OEE - Eficiência Global do Equipamento, conforme pesquisa apresentada:
- Manutenção Básica -----------------------------OEE = 45%
- Manutenção Integrada -------------------------OEE = 60%
- Manutenção Preditiva --------------------------OEE = 70%
- Manutenção Produtiva Total ------------------OEE = 80% (Utilizando conceitos de Manutenção Autônoma)
- Utilizando MCC / MPT / FMEA ------------------OEE = 85%
- Manutenção Centrada no Negócio -----------OEE = 90%
Conforme divulgado em outra pesquisa da Visteon Corporation em 2003, são os seguintes Indicadores de Classe Mundial de OEE:
- Indústrias Eletrônicas ------------------------------ > 95%
- Indústrias de Plástico ------------------------------ > 90%
- Indústria de Montagem Mecânica -------------- > 85%
- Indústria de Usinagem ----------------------------- > 85%
- Indústria de Fundição e Forjaria ---------------- > 80%
Como conseguir esses resultados e melhorar o desempenho da empresa, reduzindo os gastos?
Não basta enviar um e-mail ou dar qualquer ordem para mudar o modelo de gestão e alcançar esses indicadores, pois algumas estradas com "buracos" e "pedras" devem existir nesse caminho. Tenha calma!
Esses assuntos serão abordados nos treinamentos que estarei ministrando nos seguintes dias e locais relacionados abaixo, não perca essa oportunidade para analisar melhor a situação de sua empresa.
Espero que tenha sido do seu interesse essa abordagem da Manutenção, Competitividade e Teoria das Restrições. |