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Produtividade


Brasil

Milton Augusto Galvão Zen PUBLICADO
10/10/2002

O assunto produtividade mantém-se bastante atual. Todos falamos a respeito, mas acredito ser interessante tecer alguns comentários.

Do que lembramos quando falamos da palavra produtividade?

Em primeira instância, lembramos dos ganhos de tempo e obviamente de custos resultantes do aumento de produtividade, ou seja, sempre estão em primeira mão os ganhos de produção, de processo, de engenharia.

Entretanto, podemos acrescentar que produtividade está intimamente ligada a "Participação", que representa também o trabalho conjunto entre empregador e colaborador.

Nosso país tem enfrentado ultimamente problemas de Preço - Qualidade - Produtividade. Com relação ao Preço a frase que dizia "O Mercado comprará aquilo que eu quizer vender", deve ser substituída por "Será que o Mercado reúne condições para absorver o que desejo vender".

Quanto a qualidade, é um item que será cada vez mais exigido no mercado nacional, será dessa maneira o mínimo a fornecer. Isto dever-se-á mais em função do volume cada vez maior de produtos importados, que possuem alta tecnologia e qualidade. A empresa nacional deverá atualizar-se e desenvolver-se rapidamente nesse campo, buscando novas tecnologias de desenvolvimento e de produção.

Deve-se lembrar que a produtividade somente é conseguida, se e somente se, o colaborador participa ativamente do processo. A forma que entendo ser a correta leva em consideração também os seguintes aspectos, mais ligados ao âmbito comportamental:

A- RESPEITO

O respeito mútuo deve ser praticado com profundidade. O reconhecimento de suas potencialidades e de suas limitações, o aproveitamento de suas idéias e sugestões, a demonstração clara e evidente que o mesmo é importante para a empresa, são fatores que devem ser cotidianamente considerados. Não se deve esquecer que uma empresa é um entidade amorfa, ou seja, não existe por si só, ela necessita do ser humano para ser constituída.

B- HONESTIDADE

Este é um dos pontos que consideramos de maior importância em nossos dias. A franqueza do relacionamento jamais deve ser levada em segundo plano. Deve-se incentivar o jogo aberto; não confundir com ingênuo; puro, além da disposição para cooperação e da política do ganha-ganha, de maneira a que ambos os lados obtenham ganhos efetivos.

C- VONTADE

A determinação firme e constante de melhorar o atual, buscando cada vez mais o não acomodamento de posições. Procurar desenvolver novas fontes de fornecimento, praticando também aqui a política do ganha-ganha. A criatividade deve ser estimulada, com vistas a novos processos de trabalho e estruturas organizadoras.

D- RECONHECIMENTO

Este é um item de difícil implementação, visto necessitar profundas modificações nas estruturas salariais da empresa e comportamental dos superiores hierárquicos.

O mérito de um colaborador deve sempre ser reconhecido através de atitudes públicas e oportunas, de forma a encorajar ou assumir riscos e a convivência com erros. Aliado ao reconhecimento perante todos, deve estar uma política salarial que saiba recompensar aqueles que mais se destacam.

E- ESPÍRITO DE EQUIPE

Mais do que nunca esse item deve ser incentivado. O desenvolvimento de grupos de trabalho deve ser substituído por trabalhos em grupo. Isto visa a eliminar o paternalismo, o artificialismo e o jargão profissional. Deve-se aprimorar o espírito de justiça, o assumir de responsabilidade, a participação e o bom relacionamento.

F- SUPERVISÃO

O controle autoritário deve ceder lugar para o acompanhamento constante e cooperativo, flexível e dinâmico. Não devemos esquecer que a chefia imediata nada mais é do que um superior hierárquico com maiores responsabilidades, ou seja, o mesmo deve tornar-se cada vez mais participativo.

G- LIDERANÇA

A liderança hierárquica deve ser substituída pela competitiva, o autoritarismo arbitrário e a forma manipuladora de trabalho devem ser substituídos pela participação e desenvolvimento de trabalho em gestação. O incentivo e demonstração de comprometimento, com idéias e metas, acreditar nas mudanças e aplicar a política da sinergia através de inovações contínuas, são pontos primordiais para a nova liderança.

O até aqui apresentado nada mais é do que se tem muito falado em nosso dia-a-dia. Entretanto a aplicação desses tópicos de nível comportamental não é de fácil implementação.

É preciso constantemente exercê-los para que se tornem um hábito e apresentem-se de forma corriqueira em nosso cotidiano. Acredito que se bem aplicado, a empresa nacional atingirá o principal objetivo na atualidade que é manter-se viva e atuante em um mercado cada vez mais competitivo.

Para atingirmos produtividade em linhas de produção de forma a buscarmos o que foi perdido, deveremos ter como ponto de partida o ser humano, o colaborador. É primordial que a política de administração e gerenciamento para o colaborador seja revista.

O mercado internacional possui regras de participação bastante rígidas, onde sobrevivem apenas os melhores e que atendem as condições diversas de competitividade de cada país em que a empresa tenha interesse em se estabelecer.
Aqui vale a frase de Mário de Andrade.


"O PASSADO É UMA LIÇÃO PARA SE MEDITAR E NÃO PARA SE REPRODUZIR".


Milton Augusto Galvão Zen Eng. Eletricista, Adm. de Empresas e Eng. de Segurança do Trabalho. Gerente de Estamparia da DaimlerChrysler do Brasil Ltda. Diretor da ABRAMA

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